Como a Oliveira

Quando a pressão da vida produz algo precioso em nós

“Tu, Senhor, manténs acesa a minha lâmpada; o meu Deus transforma em luz as minhas trevas.”
Salmo 18:28

Há momentos em que parece que a vida começa a apertar de todos os lados.

Você resolve um problema e aparece outro.

Tenta manter a calma, mas por dentro está cansada.

Continua cuidando da casa, da família, do trabalho, das responsabilidades. Continua sorrindo, conversando, fazendo aquilo que precisa ser feito.

E talvez ninguém perceba o esforço que existe por trás de tudo isso.

Mas você percebe.

Você sente.

Há dias em que a vontade é simplesmente dizer:

“Senhor, eu estou cansada de tanta pressão.”

Eu já me senti assim.

E uma das coisas mais difíceis nesses períodos é não entender por que Deus está permitindo determinadas situações.

Porque, quando estamos dentro do processo, enxergamos apenas o peso dele.

Foi pensando nisso que comecei a olhar de outra maneira para uma imagem que aparece tantas vezes na Bíblia:

A Oliveira.

Eu sempre associei a oliveira à paz, à perseverança, à unção.

Mas existe algo que acontece entre a azeitona no galho e o azeite que chega à lamparina.

Existe um processo.

E esse processo me fez pensar muito sobre aquilo que acontece conosco nos períodos difíceis da vida.

Quando tudo o que sentimos é a pressão

A azeitona carrega dentro de si o azeite.

Mas, olhando para o fruto, não conseguimos vê-lo.

Ele está ali.

Escondido.

Para que seja extraído, a azeitona passa por um processo de esmagamento e prensagem.

E foi impossível não pensar em quantas vezes também existem coisas dentro de nós que só descobrimos quando a vida nos pressiona.

É fácil acreditar que somos pacientes quando ninguém testa nossa paciência.

É fácil dizer que confiamos em Deus quando tudo está acontecendo como planejamos.

É fácil falar sobre fé quando a resposta chega rápido.

Difícil é continuar confiando quando a oração parece não ter resposta.

Difícil é esperar quando já estamos cansadas de esperar.

Difícil é dizer “Deus continua sendo bom” quando estamos tentando entender por que Ele permitiu algo que nos machucou tanto.

A pressão revela coisas.

Algumas que gostaríamos de não encontrar.

Medos.

Inseguranças.

Mágoas que pensávamos ter superado.

A necessidade de controlar tudo.

A dificuldade de entregar.

Mas ela também pode revelar algo que talvez não soubéssemos que estava ali:

uma fé muito mais resistente do que imaginávamos.

Há coisas que só descobrimos sobre Deus quando precisamos dEle

Existem verdades sobre Deus que podemos aprender lendo.

E graças a Deus por Sua Palavra.

Mas existem verdades que, em determinados momentos, deixam de ser apenas conhecimento e passam a ser experiência.

Uma coisa é saber que Deus sustenta.

Outra é precisar ser sustentada.

Uma coisa é saber que Ele consola.

Outra é chegar diante dEle com o coração quebrado e descobrir que Sua presença realmente é capaz de nos consolar.

Uma coisa é dizer que Deus provê.

Outra é atravessar um período em que você não sabe como determinada situação será resolvida e, depois, olhar para trás e perceber:

Ele cuidou de mim.

Talvez seja por isso que algumas mulheres carregam uma fé diferente depois de determinados períodos da vida.

Não necessariamente porque sabem mais.

Mas porque viveram mais com Deus.

Passaram por lugares em que não havia muito onde se apoiar.

E descobriram que Ele continuava ali.

Eu não quero romantizar os tempos difíceis

Há uma coisa importante que aprendi:

não precisamos fingir que a dor é bonita para provar que temos fé.

Existem situações que realmente doem.

Existem perdas que deixam saudade.

Existem decepções que mudam alguma coisa dentro de nós.

Existem períodos em que estamos simplesmente cansadas.

Jesus nunca nos ensinou que precisaríamos sorrir diante de toda dor.

No Getsêmani, poucas horas antes da crucificação, Ele atravessou um momento de profunda angústia e orou ao Pai.

“Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres.”
Mateus 26:39

Essa oração sempre me toca.

Porque Jesus não fingiu que aquilo não era difícil.

Ele falou com o Pai sobre o que estava sentindo.

Mas também entregou Sua vontade.

Talvez fé seja isso em muitos momentos.

Não dizer:

“Isso não está doendo.”

Mas conseguir dizer:

“Está doendo, Senhor. Eu não entendo. Mas continuo colocando minha vida em Tuas mãos.”

O azeite tinha um destino

Quanto mais pensei sobre a oliveira, mais uma coisa chamou minha atenção.

O azeite não era produzido simplesmente para ficar guardado.

Na Bíblia, ele aparece associado a diferentes usos e, entre eles, à luz das lâmpadas.

Em Êxodo, Deus ordenou que fosse levado azeite puro de oliva para manter as lâmpadas acesas.

“Ordene aos israelitas que lhe tragam azeite puro de oliva batida para a iluminação, para que as lâmpadas fiquem sempre acesas.”
Êxodo 27:20

E aqui existe algo que fala profundamente comigo.

Aquela azeitona passou pela pressão.

O azeite foi extraído.

Mas o processo não terminava ali.

Aquilo que saiu da pressão seria usado para produzir luz.

Talvez algumas das experiências mais difíceis da nossa vida nunca façam sentido enquanto olhamos apenas para aquilo que perdemos nelas.

Mas talvez, com o tempo, consigamos perceber também aquilo que Deus produziu em nós através delas.

Talvez hoje você consiga compreender uma mulher que sofre porque um dia você também sofreu.

Talvez saiba acolher alguém porque lembra de como foi precisar de acolhimento.

Talvez suas palavras tenham mais misericórdia porque você já descobriu como é estar do outro lado.

Talvez hoje você ore de outra maneira.

Talvez julgue menos.

Talvez ame melhor.

Talvez tenha aprendido a reconhecer a voz de Deus no silêncio.

A experiência que um dia parecia apenas pressão pode, nas mãos de Deus, transformar-se em algo que ilumina o caminho de outra pessoa.

Talvez seja daí que venha a sua luz

Às vezes queremos apagar determinadas partes da nossa história.

Se pudéssemos voltar atrás, escolheríamos não passar por algumas delas.

Eu também tenho capítulos que não escolheria.

Mas não posso mudar aquilo que aconteceu.

Posso, porém, permitir que Deus transforme o significado que essas experiências terão na minha vida.

Elas podem continuar sendo apenas lugares de dor.

Ou podem se tornar lugares onde eu reconheço:

“Foi aqui que Deus me sustentou.”

Isso muda tudo.

Porque a cicatriz deixa de falar somente sobre aquilo que me feriu.

Ela também começa a falar sobre Quem me sustentou enquanto eu estava ferida.

A espera deixa de contar apenas quanto tempo eu esperei.

Ela começa a contar sobre o Deus que permaneceu comigo durante a espera.

E a pressão deixa de representar somente aquilo que tentou me esmagar.

Ela também pode revelar aquilo que Deus produziu em mim enquanto eu atravessava aquele período.

Não desperdice aquilo que Deus produziu em você

Talvez você tenha passado anos pensando:

“Por que precisei viver isso?”

Talvez ainda não tenha uma resposta.

E talvez algumas respostas só conheceremos na eternidade.

Mas existe outra pergunta que podemos fazer:

“Senhor, o que eu posso fazer com aquilo que aprendi enquanto atravessava isso?”

Essa pergunta muda nosso olhar.

Porque talvez exista uma mulher precisando ouvir justamente aquilo que você aprendeu.

Talvez seus filhos precisem conhecer a história da fidelidade de Deus na sua vida.

Talvez alguém precise receber de você a mesma palavra que um dia você gostaria que alguém tivesse dito.

Não precisamos transformar toda dor em uma missão.

Mas também não precisamos desperdiçar a sabedoria que nasceu dela.

Há azeite que pode ter sido produzido justamente em lugares da nossa história que gostaríamos de apagar.

E talvez Deus queira usar esse azeite para acender luz onde outra pessoa só consegue enxergar escuridão.

Um momento com Deus

Pense por alguns instantes em uma situação difícil que você já atravessou.

Não pense apenas no que ela tirou de você.

Pergunte:

O que Deus produziu em mim depois disso?

Talvez tenha sido coragem.

Talvez compaixão.

Talvez discernimento.

Talvez uma dependência maior de Deus.

Talvez você tenha aprendido a dizer não.

Talvez tenha aprendido a recomeçar.

Talvez tenha descoberto que consegue sobreviver a coisas que um dia imaginou que destruiriam você.

E talvez ainda esteja no meio da pressão.

Se estiver, não se obrigue a entender tudo agora.

Você não precisa.

Apenas continue perto de Deus.

Porque há momentos em que ainda não conseguimos enxergar o azeite.

Só conseguimos sentir a pressão.

Mas isso não significa que Deus não esteja trabalhando.

Vamos orar?

Senhor,

Tu conheces as pressões que tenho enfrentado e sabes exatamente onde estou cansada.

Há situações que eu não entendo.

Há respostas que ainda estou esperando.

E existem dias em que eu gostaria apenas que tudo fosse mais fácil.

Não permitas que os tempos difíceis endureçam meu coração.

Quando a pressão revelar meus medos, minhas inseguranças e minhas fraquezas, ajuda-me a colocá-los diante de Ti.

Produz em mim aquilo que eu não conseguiria produzir sozinha.

Que as minhas dores não sejam desperdiçadas.

Transforma minhas experiências em sabedoria, minha fraqueza em dependência de Ti e aquilo que aprendi em luz para outras pessoas.

E, quando eu não conseguir entender o processo, ajuda-me simplesmente a confiar nas Tuas mãos.

Que aquilo que hoje parece apenas pressão possa, no tempo certo, tornar-se azeite.

E que esse azeite mantenha acesa a luz que aponta para Ti.

Em nome de Jesus,

amém.

Que a Palavra de Deus seja a lamparina que permanece acesa em sua vida — e que até aquilo que nasceu em tempos de pressão possa se transformar em luz no seu caminho e no caminho de outras pessoas.

Minha Lamparina
Fé, sabedoria e propósito para cada nova fase.

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